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Inquérito de Moraes contra Flávio é coação, diz Tarcísio

17 de abril de 2026

O governador de Tarcísio de Freitas (Republicanos) criticou, nesta quinta-feira (16), a abertura de um inquérito pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). A investigação apura suposta prática de calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva em razão de uma publicação nas redes sociais.

Ao comentar o caso, Tarcísio afirmou que críticas políticas não deveriam ser tratadas como crime. Segundo ele, a aplicação da lei deve seguir critérios uniformes. O governador também declarou que a liberdade de expressão não pode ser restringida por decisões que, em sua avaliação, possam gerar tratamento desigual entre diferentes atores políticos.

Ainda durante a manifestação, Tarcísio disse não ver irregularidades na conduta de Flávio Bolsonaro e declarou confiar na eventual candidatura do senador. Ele também mencionou o cenário eleitoral, citando pesquisas recentes e projetando mudanças no desempenho dos principais nomes na disputa presidencial.

A declaração foi feita no Palácio dos Bandeirantes, durante evento de anúncio de repasses estaduais a municípios paulistas. Na ocasião, o governo informou a liberação de R$ 276,6 milhões destinados a convênios voltados a Estâncias Turísticas e Municípios de Interesse Turístico.

O deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), líder do partido na Câmara, também criticou a decisão de Moraes. Em declaração anterior, classificou o episódio como parte de um processo de perseguição política e afirmou que a estratégia para reverter o cenário passa pelo resultado das próximas eleições.

A apuração foi iniciada após uma publicação feita por Flávio Bolsonaro em 3 de janeiro. Na postagem, o senador compartilhou uma imagem de Lula ao lado de Nicolás Maduro e incluiu afirmações relacionadas a supostos vínculos com organizações criminosas e práticas ilegais, o que motivou a abertura do inquérito.

Em editorial publicado nesta sexta-feira (17), o jornal O Estado de S. Paulo criticou a decisão do ministro do STF. O veículo avaliou que a medida pode representar risco ao debate democrático ao judicializar conflitos típicos do ambiente político. O texto também argumenta que, embora as declarações tenham gravidade, elas se inserem em um contexto de disputas eleitorais marcadas por confrontos retóricos.

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